quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cachorros e serviços


Receber prestadores de serviço em casa é uma tranqüilidade, juro. Bruna e Rory acabaram de descobrir que conseguem uivar em perfeita sincronia. Elas também resmungam, bocejam, arranham a porta ao mesmo tempo. Os técnicos da televisão por assinatura (aquela que não é TV, é... por R$ 69,90) estão na sala fazendo não sei bem o quê e as duas adoráveis pestinhas estão aqui arduamente tentando me convencer que merecem ir lá socializar.

No caso da Rory significaria olhar para as pessoas estranhas e latir de medo, para logo se refugiar embaixo do sofá. No da Bruna seria mirar os calcanhares e conferir se a barra da calça resiste aos dentes dela. Para evitar constrangimentos, simples! Estou trancada com elas dentro do meu quarto. Ou você acha que eu tenho dinheiro para o processo, caso Bu morda mesmo a perna dos moços? Não mesmo. E o psicólogo para tratar a vergonha do vexame que a Rory pode desenvolver? Não também.

A Angel, que é dócil, sociável ao extremo e cega, está lá na sala mesmo. Pode acontecer qualquer coisa, inclusive cair um meteoro aqui ou o apocalipse chegar antes de 2012, que a cocker não se importa. Desde que as almofadas e o edredom dela continuem no mesmo lugar, está tudo sob controle. Simples assim. E se as pessoas dela deixaram os estranhos entrarem, já viraram amigos e ela vai é pedir carinho na cabeça e colo, com certeza.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Caninus possessivus


Pelo entre as almofadinhas das patas – não pode cortar!
Pelo caindo nos olhos – não pode cortar!
Unha fazendo tec-tec no chão, parecendo lâmina – não pode cortar!

Por que cachorro é tão possessivo? Nenhuma das figuras desta residência deixa fazer nenhuma das ações acima sem uma boa dose de chantagem (bolinha, biscoito, ração) e algumas tentativas frustradas.

É tentar cortar a “franja” na frente dos olhos que o canino em questão se refugia debaixo do sofá ou da cama. As unhas assassinas elas deitam em cima no segundo que o cortador é trazido ao recinto. Pelo entre as almofadinhas, que faz atravessar a sala desgovernadamente e bater no vidro da varanda, é sagrado, vem com a plaquinha de não toque!

Podem estar em sono profundo, roncando alto. Ouviram a tesoura, abrem os olhos com toda a propriedade do mundo, como se estivessem apenas descansando as pálpebras. E completam a cena com aquele olhar de desprezo que só um focinho pode te dar. E você com a cara mais sonsa, disfarçando que a tesoura ou cortador nada tinha a ver. Foi só impressão.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Bunker para a Copa


Copa do mundo chegando e a vizinhança inteira já está com seus aparatos de torcida: apitos, cornetas, fogos de artifício, buzinas e toda a sorte de coisas barulhentas. Inclusive som automotivo e a televisão nova gigante de tela plana. Sinceramente, não gosto de barulho em hipótese quase nenhuma, fico irritada e mal-humorada. Ou seja, copa não é exatamente um evento que me faça pular de alegria.

Este ano, a preocupação não é tanto comigo. Inventaram milhões de maneiras de eu me distrair durante os jogos e, contra o barulho há fones de ouvido super potentes. Dá para jogar viodeogame, assistir séries inteiras em DVD, fazer maratona de filmes. Isso sem sair de casa! O que está me incomodando é que toda essa alegria concentrada (e barullhenta) vai acabar incomodando os ouvidinhos mais sensíveis da casa.

Alguém sabe se existe tampão de ouvido para cachorro? Tenho a nítida impressão que a minúscula Rory, de seis meses vai ter ataques de pânico. Semana passada teve festa de aniversário aqui perto e os balões sendo estourados já serviram para elar correr e se esconder. Avião pode passar o dia todo ela nem liga, mas é só passar um helicóptero que ela faz cara de terror e pânico. O vizinho de sempre gritando gol e mais alguns xingamentos enquanto assiste futebol já serve para deixá-la irritada e procurando a voz pela casa.

Imagine a situação quando for quase a quadra inteira aos berros, com todas as bugigangas e mais as televisões no último volume? Será que ainda encontro um abrigo atômico desativado em boas condições, para me esconder com ela? Com certeza, será um período nada monótono!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rory e os anos 80

Quando afirmo que casa que tem bicho é outra coisa, não estou de brincadeira. Ainda na febre do aniversário de 30 anos do Pacman, estava jogando no computador. E a Rory dormindo aqui do lado do notebook. Tudo bem, um silêncio danado. Aí a pequena começou a acordar. Sentou, abriu a boca e resolveu de cheirar a tela, como de costume.

Só que ela realmente achou interessante ver aquele monte de pontinhos coloridos na tela e cismou em querer pegá-los! Resultado: além de perder o jogo, o monitor está todo manchado com as marcas do focinho da figura, tentando alcançar fantasmas e Pacman. Eu só consegui dar risada da situação, porque como é que eu ia dar bronca na cachorra?

Eu devia ter previsto. Uns dois dias atrás ela achou a musiquinha do jogo irritante e ficou procurando aqui, sendo que eu estava usando os fones de ouvido. Cheirou tudo, fez cara de indignada, mas nem olhou para a tela. Hoje ela SÓ prestou atenção na tela.