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domingo, 29 de agosto de 2010

Precisa-se de uma paticure

Minha Cocker Spaniel não sabe cortar as próprias unhas. Aliás, em matéria de ser cachorro, ela é completamente desnorteada em muita coisa. Deve ser porque foi tirada da mãe cedo demais. Tecnicamente filhotes de Cocker devem ter as características da raça, certo? Pois a Angel tinha cara de cachorro, bem genérica. Pelo branco e preto, focinho preto redondinho, um toquinho de rabo e só. A orelha nem de longe lembrava de que raça ela devia ser.

Portanto, dar um jeito nas unhas não é exatamente o forte dela. Enquanto morávamos em casas, não dava para notar, porque ela acabava lixando no cimento do lado de fora ou no asfalto quando fugia. Logo que mudamos para o apartamento, nada também. Visitas periódicas ao pet shop para banhos e tosas camuflaram a falta de jeito, mais uma vez.

Só que aí veio a primeira infecção de ouvido. E a decisão de evitar banhos fora de casa até a situação estar controlada (o que não aconteceu, o problema sempre volta). Prestando atenção nas outras cachorras da casa, percebi que a Angel é a única que não corta as próprias unhas. A Bruna faz dramas épicos para deixar cortá-las com o cortador. Juro que não sei o que o pessoal do pet faz. A Rory só dormindo profundamente. Mas as duas se resolvem sozinhas mordendo as unhas entre os passeios.

Angel, minha cachorra meio gata – a babá dela quando filhote era a gata que minha avó tinha – nunca faz isso. Ao menos um pouco de chantagem com biscoitos e muito carinho resolvem e ela acaba deixando eu apará-las, com certa má vontade, uma série de resmungos e alguma ameaças de mordida, é claro. Nem tudo na vida pode ser fácil assim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Caninus possessivus


Pelo entre as almofadinhas das patas – não pode cortar!
Pelo caindo nos olhos – não pode cortar!
Unha fazendo tec-tec no chão, parecendo lâmina – não pode cortar!

Por que cachorro é tão possessivo? Nenhuma das figuras desta residência deixa fazer nenhuma das ações acima sem uma boa dose de chantagem (bolinha, biscoito, ração) e algumas tentativas frustradas.

É tentar cortar a “franja” na frente dos olhos que o canino em questão se refugia debaixo do sofá ou da cama. As unhas assassinas elas deitam em cima no segundo que o cortador é trazido ao recinto. Pelo entre as almofadinhas, que faz atravessar a sala desgovernadamente e bater no vidro da varanda, é sagrado, vem com a plaquinha de não toque!

Podem estar em sono profundo, roncando alto. Ouviram a tesoura, abrem os olhos com toda a propriedade do mundo, como se estivessem apenas descansando as pálpebras. E completam a cena com aquele olhar de desprezo que só um focinho pode te dar. E você com a cara mais sonsa, disfarçando que a tesoura ou cortador nada tinha a ver. Foi só impressão.