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terça-feira, 15 de abril de 2014

Apague a luz, por favor!

Rory veio de encomenda.

De todos os animais que me lembro de ter em casa, essa figurinha alaranjada como o Garfield, é a única a ser vampira o suficiente para não gostar de lâmpadas acessas. Quando quer dormir, ela consegue ser um vidrinho bem pequeno de insuportabilidade.

Diga boa noite. Vá deitar e tente ler com ela no quarto para ver se não resulta em um olhar fuzilante para você, para o material de leitura e para a luz acessa, nesta ordem. O dia em que ela descobriu ser possível tampar a cabeça com as cobertas, foi a glória. Mas, ainda assim, ela faz cara de insatisfeita até hoje, antes de desistir e se esconder embaixo das cobertas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Noção de perigo? Onde?

Estou para ver cãozinho mais sem noção de perigo que a ilustre vira-lata laranjada que habita esta residência. Sim, eu sei que cachorros não dominam a arte de saber o que é perigoso, mas a Rory não é destemida, como aqueles cães de seriado americano. Ela simplesmente não sabe o que é perigoso!

Devo lembrar que, numa escala de zero a 10, a criaturinha fica com sete em falta de coragem. Basicamente ela foge de estranhos, de barulhos altos, de vassouras e de coisas caindo. Porém, cachorros três vezes maiores que ela, com dentes arreganhados não a intimidam; janelas de apartamentos abertas e com a possibilidade de cair lá embaixo não a assustam e o fogo embaixo da panela não a faz ficar um pouco mais longe.

Pior: uma amante incondicional de pombos, ela pensa piamente que tem asas iguais às deles. Outro dia seguia o ritual natural de botar a figura no colo, apoiada na grade da janela para ver o absoluto nada que é possível ver de um apartamento virado para outros prédios. Interessantíssimo, não?

Ela acha o ápice do dia. E reclama em altos decibéis se não é logo atendida (um monstrinho laranja). Pois bem, cachorrinha de três quilos, comprida e fina, apoiada em grade de apartamento. Imaginou a manchete bizarra no jornal? “Cachorro tenta voar com pombos e cai do 2° andar”. Eu imaginei a reportagem inteira, enquanto ela fazia a maior força para descer e “forçar amizade” com o pássaro mais próximo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cabo de guerra

Cachorros que vivem em apartamento (“apertamento”, se preferir) tem uma leve tendência a adaptar brincadeiras para o pouco espaço. Seu cachorro corre o quintal inteiro? As minhas não, na falta de quintal elas atravessam o corredor em altíssima velocidade, quicam no sofá e correm novamente de encontro à porta do banheiro, prontas para recomeçar a maluquice.

Outra opção é correr como se não houvesse amanhã e se esconder embaixo dos móveis: sofás, camas e armário da cozinha incluídos. Apenas pelo prazer de ouvir a colega de quatro patas que ficou de fora latir em altíssimos decibéis para tirar a outra de lá.

Mas, a brincadeira favorita ultimamente é fazer cabo de guerra com qualquer item que as patinhas possam encontrar. Meias velhas e puídas não fazem mais a cabeça das minhas fofuras. Passei uma semaninha fora de casa, a trabalho. Insatisfeitas, as minhas adoráveis pestinhas acharam que seria interessante fazer cabo de guerra com a minha coberta. Assim, sem a menor cerimônia.

Pena que não tenho nenhuma foto para ilustrar. Mas desconfio que minha toalha também foi usada no processo. Outro dia notei que surgiu um furo razoável em uma das pontas, coisa que não existia antes de eu viajar. Saudade? Pode ser uma demonstração um pouco bruta, mas deve ser. Ou então é só mais uma brincadeira criativa.

domingo, 29 de agosto de 2010

Precisa-se de uma paticure

Minha Cocker Spaniel não sabe cortar as próprias unhas. Aliás, em matéria de ser cachorro, ela é completamente desnorteada em muita coisa. Deve ser porque foi tirada da mãe cedo demais. Tecnicamente filhotes de Cocker devem ter as características da raça, certo? Pois a Angel tinha cara de cachorro, bem genérica. Pelo branco e preto, focinho preto redondinho, um toquinho de rabo e só. A orelha nem de longe lembrava de que raça ela devia ser.

Portanto, dar um jeito nas unhas não é exatamente o forte dela. Enquanto morávamos em casas, não dava para notar, porque ela acabava lixando no cimento do lado de fora ou no asfalto quando fugia. Logo que mudamos para o apartamento, nada também. Visitas periódicas ao pet shop para banhos e tosas camuflaram a falta de jeito, mais uma vez.

Só que aí veio a primeira infecção de ouvido. E a decisão de evitar banhos fora de casa até a situação estar controlada (o que não aconteceu, o problema sempre volta). Prestando atenção nas outras cachorras da casa, percebi que a Angel é a única que não corta as próprias unhas. A Bruna faz dramas épicos para deixar cortá-las com o cortador. Juro que não sei o que o pessoal do pet faz. A Rory só dormindo profundamente. Mas as duas se resolvem sozinhas mordendo as unhas entre os passeios.

Angel, minha cachorra meio gata – a babá dela quando filhote era a gata que minha avó tinha – nunca faz isso. Ao menos um pouco de chantagem com biscoitos e muito carinho resolvem e ela acaba deixando eu apará-las, com certa má vontade, uma série de resmungos e alguma ameaças de mordida, é claro. Nem tudo na vida pode ser fácil assim.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O cachorro no espelho

Li uma vez que cachorros não gostam de espelhos porque não conseguem identificar o próprio reflexo. Para eles, seria outro animal, um que eles não conseguem alcançar. A Bruna é a prova disso. Seja no vidro, no espelho, ela simplesmente odeia. Fica encarando um tempo mínimo e depois vira o focinho para outro lado, só para não ver aquele cachorro intrometido que aparece ali.

A Rory, ao contrário, é de lua. Tem dias em que ela é a contestação em pelo e focinho.Vê uma porta de vidro, vai lá, balança o rabo, late e chama o próprio reflexo para brincar. Espelho, ela cheira, se arruma, faz pose, só falta conferir se o penteado está bonito e se os fios estão no lugar.

Mas tem dias que ela amanhece não gostando. E, nessas ocasiões, a imagem dela vira um monstro, pior do que aquele que se esconde embaixo da cama da gente na infância. Late, resmunga e foge como se a vida dependesse disso. E fica revoltada quando ninguém corre para socorrê-la.

O meu medo é o dia que ela conseguir, finalmente, trazer o cachorro bonitinho do espelho para brincar com ela. Se uma vira-lata minúscula metida a ser pessoa já não é fácil, imagina duas da mesma tendo ataques pela casa? Aí, eu é que vou querer morar no espelho.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cachorros e suas lixeiras

Outro dia o @kikoloureiro escreveu que a Anastacia era uma velha louca e tinha revirado todo o lixo da cozinha. Li e rolei de rir. Simplesmente porque o passatempo favorito das vira-latas e da vira-lata por excelência aqui de casa é exatamente revirar lixeiras. Sim, eca! Porém, cada uma tem sua preferência. Não é assim qualquer lixo, muito menos qualquer hora. Existe todo um cronograma, uma preparação detalhada e muita pesquisa antes do ataque aos restos.

Angel, a número 1, pensa apenas na barriga. Para ela é apenas uma questão de conseguir aquele quitute que as humanas maldosamente insistem em não dar. Ou seja, ela ataca a lixeirinha da cozinha, em cima da pia. É só sair e esquecer-se de esvaziar a lixeira que ela acha uma forma de se esgueirar entre a geladeira e a pia. E, ao chegar em casa, a cena é a do lixo belamente esparramado no chão. O que faltar, como ossos, é o que ela queria. Caso ainda esteja mastigando, nem tente chegar perto, por amor aos seus dedos e braços.

Bruna, a número 2, pensa na diversão e no grau de porcalheira que pode te enojar. Tá bom, não tanto, mas a questão é que o lixo favorito dela é o do banheiro (eca²), pronto. Na verdade, ela gosta do papel higiênico e já destruiu alguns rolos novinhos para comprovar essa teoria. A porta do banheiro costuma ceder depois de alguns empurrões mais fortes, e ela sabe disso. As opções viáveis são: a. esvaziar a lixeira antes de sair ou b. colocar a lixeira dentro do box e deixar bem fechado. Ah, e guardar o rolo limpo dentro do armário. Em caso de esquecimento é se preparar para a faxina e tentar não jogar a criatura na máquina de lavar.

Rory é a menor e mais feliz. Não faz barulho e não vira confete, não interessa. Ou seja, encarte de loja, revista, jornal e contas envelopadas precisam de abrigo seguro. Recentemente caí na bobeira de deixar uma revista no sofá, para ler depois. Só uma matéria tinha me interessado/ indignado, então eu precisava de um tempo para processar a chamada antes de ler propriamente. Saímos, não deu outra. Na volta, jaziam no meio da sala os frangalhos da publicação, sem a mínima chance de remendar com fita adesiva. Os outros pedacinhos estavam por todo o perímetro da residência. Se bobear, ainda dá para achar algum.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Boa de Tigela


Vida de quem tem cachorro NUNCA é monótona. Principalmente se o seu cãozinho não foi exatamente treinado. Aqui em casa são três malucas nesta condição. A Angel basicamente adaptou o truque de sentar para quase tudo que precisa na vida: ela senta para ganhar comida; senta na frente da porta quando quer passear; senta e olha para cima quando quer ração ou biscoitos especificamente (ambos ficam numa prateleira alta na cozinha); senta na sua frente, levanta e senta de novo na frente da tigela para avisar que a água acabou e o melhor: senta desolada no meio da sala quando descobre que seu edredom ou sua almofada não estão no cantinho onde deveriam estar. Em tempo: ela é cega há alguns anos, então essa coisa de tirar objetos do lugar é tensa.
Apesar disso, ela continua tão focinho de pau quanto sempre foi. Antes da Angel, tive outra cachorrinha. Pois bem, a Fofa não comia praticamente nada, ração de jeito nenhum. O cardápio dela se resumia a arroz misturado com carne, frango ou fígado, que ela comia com uma felicidade imensa, e só. Com poucos meses a Angel provou que se fosse gente, seria ótima de garfo. Um belo dia fiz pipoca e só quando sentei no tapete me lembrei que não tinha pegado o copo de suco. Levantei e voltei para a cozinha, sem me preocupar. Qual a minha surpresa quando encontrei aquele projeto de cachorro comendo a pipoca toda satisfeita!
É costume aqui em casa dizer que no dia que a gordinha rejeitar alguma coisa podemos cavar o buraco e esperar. É bem por aí: pipoca, cenoura, tomate, leite e queijo são os favoritos. Aliás, q-u-e-i-j-o é uma palavra proibida, a não ser que soletrada, porque ela percebe e vai direto para a porta da geladeira e senta, senta de novo, senta mais uma vez, até nos vencer pelo cansaço, com aquela cara de morta de fome e aqueles olhinhos tristes simulados.
Na sala, a mesa geralmente fica vazia, porque em quase todas as ocasiões em que ficou algo ali em cima, sumiu depois de uma saidinha rápida dos humanos. Uma vez abrimos uma caixa de chocolates à noite, enquanto assistíamos televisão. O tempo passou, o sono veio e os chocolates foram esquecidos, na beira da mesa. No outro dia a caixa continuava ali, mas as pessoas saíram cedo e ninguém se lembrou de conferir a mesa. À noite, cadê a caixa? Procura embaixo dos móveis, olha nos armários, na geladeira e nada. A conclusão inicial foi a de que foi tão bem guardada que ninguém conseguia lembrar aonde.
E a Angel ainda passou mal aquele dia. Procurar doce ficou para depois, porque parecia que ela ia virar do avesso. Levou quase uma semana até tudo fazer sentido, quando um pedacinho da caixa foi encontrado embaixo do sofá, todo moído. A esfomeada comeu todo o chocolate! Com os papéis! Não foi à toa que passou uns dois dias mole, sem vontade de fazer o que mais gosta. Monotonia canina? Não mesmo.