Vida de quem tem cachorro NUNCA é monótona. Principalmente se o seu cãozinho não foi exatamente treinado. Aqui em casa são três malucas nesta condição. A Angel basicamente adaptou o truque de sentar para quase tudo que precisa na vida: ela senta para ganhar comida; senta na frente da porta quando quer passear; senta e olha para cima quando quer ração ou biscoitos especificamente (ambos ficam numa prateleira alta na cozinha); senta na sua frente, levanta e senta de novo na frente da tigela para avisar que a água acabou e o melhor: senta desolada no meio da sala quando descobre que seu edredom ou sua almofada não estão no cantinho onde deveriam estar. Em tempo: ela é cega há alguns anos, então essa coisa de tirar objetos do lugar é tensa.
Apesar disso, ela continua tão focinho de pau quanto sempre foi. Antes da Angel, tive outra cachorrinha. Pois bem, a Fofa não comia praticamente nada, ração de jeito nenhum. O cardápio dela se resumia a arroz misturado com carne, frango ou fígado, que ela comia com uma felicidade imensa, e só. Com poucos meses a Angel provou que se fosse gente, seria ótima de garfo. Um belo dia fiz pipoca e só quando sentei no tapete me lembrei que não tinha pegado o copo de suco. Levantei e voltei para a cozinha, sem me preocupar. Qual a minha surpresa quando encontrei aquele projeto de cachorro comendo a pipoca toda satisfeita!
Apesar disso, ela continua tão focinho de pau quanto sempre foi. Antes da Angel, tive outra cachorrinha. Pois bem, a Fofa não comia praticamente nada, ração de jeito nenhum. O cardápio dela se resumia a arroz misturado com carne, frango ou fígado, que ela comia com uma felicidade imensa, e só. Com poucos meses a Angel provou que se fosse gente, seria ótima de garfo. Um belo dia fiz pipoca e só quando sentei no tapete me lembrei que não tinha pegado o copo de suco. Levantei e voltei para a cozinha, sem me preocupar. Qual a minha surpresa quando encontrei aquele projeto de cachorro comendo a pipoca toda satisfeita!
É costume aqui em casa dizer que no dia que a gordinha rejeitar alguma coisa podemos cavar o buraco e esperar. É bem por aí: pipoca, cenoura, tomate, leite e queijo são os favoritos. Aliás, q-u-e-i-j-o é uma palavra proibida, a não ser que soletrada, porque ela percebe e vai direto para a porta da geladeira e senta, senta de novo, senta mais uma vez, até nos vencer pelo cansaço, com aquela cara de morta de fome e aqueles olhinhos tristes simulados.
Na sala, a mesa geralmente fica vazia, porque em quase todas as ocasiões em que ficou algo ali em cima, sumiu depois de uma saidinha rápida dos humanos. Uma vez abrimos uma caixa de chocolates à noite, enquanto assistíamos televisão. O tempo passou, o sono veio e os chocolates foram esquecidos, na beira da mesa. No outro dia a caixa continuava ali, mas as pessoas saíram cedo e ninguém se lembrou de conferir a mesa. À noite, cadê a caixa? Procura embaixo dos móveis, olha nos armários, na geladeira e nada. A conclusão inicial foi a de que foi tão bem guardada que ninguém conseguia lembrar aonde.
E a Angel ainda passou mal aquele dia. Procurar doce ficou para depois, porque parecia que ela ia virar do avesso. Levou quase uma semana até tudo fazer sentido, quando um pedacinho da caixa foi encontrado embaixo do sofá, todo moído. A esfomeada comeu todo o chocolate! Com os papéis! Não foi à toa que passou uns dois dias mole, sem vontade de fazer o que mais gosta. Monotonia canina? Não mesmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário