Li uma vez que cachorros não gostam de espelhos porque não conseguem identificar o próprio reflexo. Para eles, seria outro animal, um que eles não conseguem alcançar. A Bruna é a prova disso. Seja no vidro, no espelho, ela simplesmente odeia. Fica encarando um tempo mínimo e depois vira o focinho para outro lado, só para não ver aquele cachorro intrometido que aparece ali.
A Rory, ao contrário, é de lua. Tem dias em que ela é a contestação em pelo e focinho.Vê uma porta de vidro, vai lá, balança o rabo, late e chama o próprio reflexo para brincar. Espelho, ela cheira, se arruma, faz pose, só falta conferir se o penteado está bonito e se os fios estão no lugar.
Mas tem dias que ela amanhece não gostando. E, nessas ocasiões, a imagem dela vira um monstro, pior do que aquele que se esconde embaixo da cama da gente na infância. Late, resmunga e foge como se a vida dependesse disso. E fica revoltada quando ninguém corre para socorrê-la.
O meu medo é o dia que ela conseguir, finalmente, trazer o cachorro bonitinho do espelho para brincar com ela. Se uma vira-lata minúscula metida a ser pessoa já não é fácil, imagina duas da mesma tendo ataques pela casa? Aí, eu é que vou querer morar no espelho.
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