terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vira-Latas estilosos

Olha, não sei vocês, mas eu simplesmente adoro usar o consumismo do Natal em prol do que realmente importa nesta data (e no ano inteiro): fazer o bem e ajudar de verdade quem precisa.

Como amante incondicional dos focinhos, eu já garanti o meu kit. E ajudei umas figuras foférrimas, com certeza!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Noção de perigo? Onde?

Estou para ver cãozinho mais sem noção de perigo que a ilustre vira-lata laranjada que habita esta residência. Sim, eu sei que cachorros não dominam a arte de saber o que é perigoso, mas a Rory não é destemida, como aqueles cães de seriado americano. Ela simplesmente não sabe o que é perigoso!

Devo lembrar que, numa escala de zero a 10, a criaturinha fica com sete em falta de coragem. Basicamente ela foge de estranhos, de barulhos altos, de vassouras e de coisas caindo. Porém, cachorros três vezes maiores que ela, com dentes arreganhados não a intimidam; janelas de apartamentos abertas e com a possibilidade de cair lá embaixo não a assustam e o fogo embaixo da panela não a faz ficar um pouco mais longe.

Pior: uma amante incondicional de pombos, ela pensa piamente que tem asas iguais às deles. Outro dia seguia o ritual natural de botar a figura no colo, apoiada na grade da janela para ver o absoluto nada que é possível ver de um apartamento virado para outros prédios. Interessantíssimo, não?

Ela acha o ápice do dia. E reclama em altos decibéis se não é logo atendida (um monstrinho laranja). Pois bem, cachorrinha de três quilos, comprida e fina, apoiada em grade de apartamento. Imaginou a manchete bizarra no jornal? “Cachorro tenta voar com pombos e cai do 2° andar”. Eu imaginei a reportagem inteira, enquanto ela fazia a maior força para descer e “forçar amizade” com o pássaro mais próximo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lista de Rory


O passatempo novo de Rory é se esconder embaixo dos móveis. Por motivos variados. Creio que ela tem a seguinte lista escondida em algum lugar.

- Bagunçou, mordiscou o que não devia, fez um xixizinho fora de lugar: se esconda embaixo do sofá;
- “Achou” um pacote de biscoitos dentro da mochila da sua dona, comeu tudo, ela descobriu e está furiosa atrás de você: se esconda embaixo da cama;
- Sua dona passou do seu lado com uma vassoura, que jamais foi utilizada para bater em você: se esconda embaixo do sofá;
- Sua outra dona está preparando o almoço: embaixo do móvel da cozinha você fica segura e ainda pega pedaços das comidinhas que caírem;
- A cortina está balançando freneticamente por causa do vento que faz barulhos estranhos lá fora: debaixo da cama que ficar mais próxima;
- Chegou visita/entregador/gente estranha em geral: se esconda embaixo do sofá que a Bruna dá conta das canelas sozinha!

Lógico que todas estas opções podem ser substituídas por pular no colo de alguém que esteja disponível, ou não. No caso de colo, o item é único e muito claro: suba e aproveite, só pode ser seu!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cabo de guerra

Cachorros que vivem em apartamento (“apertamento”, se preferir) tem uma leve tendência a adaptar brincadeiras para o pouco espaço. Seu cachorro corre o quintal inteiro? As minhas não, na falta de quintal elas atravessam o corredor em altíssima velocidade, quicam no sofá e correm novamente de encontro à porta do banheiro, prontas para recomeçar a maluquice.

Outra opção é correr como se não houvesse amanhã e se esconder embaixo dos móveis: sofás, camas e armário da cozinha incluídos. Apenas pelo prazer de ouvir a colega de quatro patas que ficou de fora latir em altíssimos decibéis para tirar a outra de lá.

Mas, a brincadeira favorita ultimamente é fazer cabo de guerra com qualquer item que as patinhas possam encontrar. Meias velhas e puídas não fazem mais a cabeça das minhas fofuras. Passei uma semaninha fora de casa, a trabalho. Insatisfeitas, as minhas adoráveis pestinhas acharam que seria interessante fazer cabo de guerra com a minha coberta. Assim, sem a menor cerimônia.

Pena que não tenho nenhuma foto para ilustrar. Mas desconfio que minha toalha também foi usada no processo. Outro dia notei que surgiu um furo razoável em uma das pontas, coisa que não existia antes de eu viajar. Saudade? Pode ser uma demonstração um pouco bruta, mas deve ser. Ou então é só mais uma brincadeira criativa.

domingo, 29 de agosto de 2010

Precisa-se de uma paticure

Minha Cocker Spaniel não sabe cortar as próprias unhas. Aliás, em matéria de ser cachorro, ela é completamente desnorteada em muita coisa. Deve ser porque foi tirada da mãe cedo demais. Tecnicamente filhotes de Cocker devem ter as características da raça, certo? Pois a Angel tinha cara de cachorro, bem genérica. Pelo branco e preto, focinho preto redondinho, um toquinho de rabo e só. A orelha nem de longe lembrava de que raça ela devia ser.

Portanto, dar um jeito nas unhas não é exatamente o forte dela. Enquanto morávamos em casas, não dava para notar, porque ela acabava lixando no cimento do lado de fora ou no asfalto quando fugia. Logo que mudamos para o apartamento, nada também. Visitas periódicas ao pet shop para banhos e tosas camuflaram a falta de jeito, mais uma vez.

Só que aí veio a primeira infecção de ouvido. E a decisão de evitar banhos fora de casa até a situação estar controlada (o que não aconteceu, o problema sempre volta). Prestando atenção nas outras cachorras da casa, percebi que a Angel é a única que não corta as próprias unhas. A Bruna faz dramas épicos para deixar cortá-las com o cortador. Juro que não sei o que o pessoal do pet faz. A Rory só dormindo profundamente. Mas as duas se resolvem sozinhas mordendo as unhas entre os passeios.

Angel, minha cachorra meio gata – a babá dela quando filhote era a gata que minha avó tinha – nunca faz isso. Ao menos um pouco de chantagem com biscoitos e muito carinho resolvem e ela acaba deixando eu apará-las, com certa má vontade, uma série de resmungos e alguma ameaças de mordida, é claro. Nem tudo na vida pode ser fácil assim.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O cachorro no espelho

Li uma vez que cachorros não gostam de espelhos porque não conseguem identificar o próprio reflexo. Para eles, seria outro animal, um que eles não conseguem alcançar. A Bruna é a prova disso. Seja no vidro, no espelho, ela simplesmente odeia. Fica encarando um tempo mínimo e depois vira o focinho para outro lado, só para não ver aquele cachorro intrometido que aparece ali.

A Rory, ao contrário, é de lua. Tem dias em que ela é a contestação em pelo e focinho.Vê uma porta de vidro, vai lá, balança o rabo, late e chama o próprio reflexo para brincar. Espelho, ela cheira, se arruma, faz pose, só falta conferir se o penteado está bonito e se os fios estão no lugar.

Mas tem dias que ela amanhece não gostando. E, nessas ocasiões, a imagem dela vira um monstro, pior do que aquele que se esconde embaixo da cama da gente na infância. Late, resmunga e foge como se a vida dependesse disso. E fica revoltada quando ninguém corre para socorrê-la.

O meu medo é o dia que ela conseguir, finalmente, trazer o cachorro bonitinho do espelho para brincar com ela. Se uma vira-lata minúscula metida a ser pessoa já não é fácil, imagina duas da mesma tendo ataques pela casa? Aí, eu é que vou querer morar no espelho.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cachorros e serviços


Receber prestadores de serviço em casa é uma tranqüilidade, juro. Bruna e Rory acabaram de descobrir que conseguem uivar em perfeita sincronia. Elas também resmungam, bocejam, arranham a porta ao mesmo tempo. Os técnicos da televisão por assinatura (aquela que não é TV, é... por R$ 69,90) estão na sala fazendo não sei bem o quê e as duas adoráveis pestinhas estão aqui arduamente tentando me convencer que merecem ir lá socializar.

No caso da Rory significaria olhar para as pessoas estranhas e latir de medo, para logo se refugiar embaixo do sofá. No da Bruna seria mirar os calcanhares e conferir se a barra da calça resiste aos dentes dela. Para evitar constrangimentos, simples! Estou trancada com elas dentro do meu quarto. Ou você acha que eu tenho dinheiro para o processo, caso Bu morda mesmo a perna dos moços? Não mesmo. E o psicólogo para tratar a vergonha do vexame que a Rory pode desenvolver? Não também.

A Angel, que é dócil, sociável ao extremo e cega, está lá na sala mesmo. Pode acontecer qualquer coisa, inclusive cair um meteoro aqui ou o apocalipse chegar antes de 2012, que a cocker não se importa. Desde que as almofadas e o edredom dela continuem no mesmo lugar, está tudo sob controle. Simples assim. E se as pessoas dela deixaram os estranhos entrarem, já viraram amigos e ela vai é pedir carinho na cabeça e colo, com certeza.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Caninus possessivus


Pelo entre as almofadinhas das patas – não pode cortar!
Pelo caindo nos olhos – não pode cortar!
Unha fazendo tec-tec no chão, parecendo lâmina – não pode cortar!

Por que cachorro é tão possessivo? Nenhuma das figuras desta residência deixa fazer nenhuma das ações acima sem uma boa dose de chantagem (bolinha, biscoito, ração) e algumas tentativas frustradas.

É tentar cortar a “franja” na frente dos olhos que o canino em questão se refugia debaixo do sofá ou da cama. As unhas assassinas elas deitam em cima no segundo que o cortador é trazido ao recinto. Pelo entre as almofadinhas, que faz atravessar a sala desgovernadamente e bater no vidro da varanda, é sagrado, vem com a plaquinha de não toque!

Podem estar em sono profundo, roncando alto. Ouviram a tesoura, abrem os olhos com toda a propriedade do mundo, como se estivessem apenas descansando as pálpebras. E completam a cena com aquele olhar de desprezo que só um focinho pode te dar. E você com a cara mais sonsa, disfarçando que a tesoura ou cortador nada tinha a ver. Foi só impressão.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Bunker para a Copa


Copa do mundo chegando e a vizinhança inteira já está com seus aparatos de torcida: apitos, cornetas, fogos de artifício, buzinas e toda a sorte de coisas barulhentas. Inclusive som automotivo e a televisão nova gigante de tela plana. Sinceramente, não gosto de barulho em hipótese quase nenhuma, fico irritada e mal-humorada. Ou seja, copa não é exatamente um evento que me faça pular de alegria.

Este ano, a preocupação não é tanto comigo. Inventaram milhões de maneiras de eu me distrair durante os jogos e, contra o barulho há fones de ouvido super potentes. Dá para jogar viodeogame, assistir séries inteiras em DVD, fazer maratona de filmes. Isso sem sair de casa! O que está me incomodando é que toda essa alegria concentrada (e barullhenta) vai acabar incomodando os ouvidinhos mais sensíveis da casa.

Alguém sabe se existe tampão de ouvido para cachorro? Tenho a nítida impressão que a minúscula Rory, de seis meses vai ter ataques de pânico. Semana passada teve festa de aniversário aqui perto e os balões sendo estourados já serviram para elar correr e se esconder. Avião pode passar o dia todo ela nem liga, mas é só passar um helicóptero que ela faz cara de terror e pânico. O vizinho de sempre gritando gol e mais alguns xingamentos enquanto assiste futebol já serve para deixá-la irritada e procurando a voz pela casa.

Imagine a situação quando for quase a quadra inteira aos berros, com todas as bugigangas e mais as televisões no último volume? Será que ainda encontro um abrigo atômico desativado em boas condições, para me esconder com ela? Com certeza, será um período nada monótono!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rory e os anos 80

Quando afirmo que casa que tem bicho é outra coisa, não estou de brincadeira. Ainda na febre do aniversário de 30 anos do Pacman, estava jogando no computador. E a Rory dormindo aqui do lado do notebook. Tudo bem, um silêncio danado. Aí a pequena começou a acordar. Sentou, abriu a boca e resolveu de cheirar a tela, como de costume.

Só que ela realmente achou interessante ver aquele monte de pontinhos coloridos na tela e cismou em querer pegá-los! Resultado: além de perder o jogo, o monitor está todo manchado com as marcas do focinho da figura, tentando alcançar fantasmas e Pacman. Eu só consegui dar risada da situação, porque como é que eu ia dar bronca na cachorra?

Eu devia ter previsto. Uns dois dias atrás ela achou a musiquinha do jogo irritante e ficou procurando aqui, sendo que eu estava usando os fones de ouvido. Cheirou tudo, fez cara de indignada, mas nem olhou para a tela. Hoje ela SÓ prestou atenção na tela.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Kola Lutz


Parece que eu estava adivinhando! Desde Crepúsculo eu acho o Emmet o vampiro mais legal da família Cullen. E quando vieram os filmes, não que Robert Pattison e Taylor Lautner não sejam lindos e tal, mas sempre fui do contra, ok? Meus favoritos são Kellan Lutz e Jackson Rathbone, de longe.

Mas o que eu estava adivinhando mesmo? Ah, sim. Achei uma revista sobre cachorros graças ao @kLutzbuzz, que colocou um link para uma revista chamada Doggie Aficionado. A chamada era: Twilight's Kellan Lutz and pooch Kola on the cover of Doggie Aficionado¹. Claro que eu fui correndo baixar a matéria, dá para ler a revista toda online. A Kola foi resgatada e estava em um abrigo de animais. O Kellan conta na entrevista que pôs a mão na grade da gaiola e chamou a cachorrinha, que foi até ele e a lambeu.

E tem um monte de fotos da Kola Lutz espalhadas na net. Escolhi esta da sessão de fotos da revista. A cachorrinha é uma graça, se bem que sou muito suspeita para comentar isso, já que para mim não tem cachorro feio.

¹ Kellan Lutz de Crepúsculo e a cadela Kola na capa de Doggie Aficionado.
Foto: http://crepusculomaniabr.blogspot.com/2010/05/outtakes-de-kola-e-kellan-lutz.html

domingo, 30 de maio de 2010

Bicho dá trabalho


Muita gente reclama que ter bicho dá muito trabalho, o que me eleva à categoria de doida, porque aqui em casa são três fofuras saltitantes. É verdade, tem dias que dá vontade de matar um: a casa está toda limpa, os móveis impecáveis, o chão lavadinho e vem uma desavergonhada e faz aquela poça de xixi bem no meio da sala, exatamente quando você jura que acabou.

Conheço quem não se abale com o trabalho, mas jura que nunca mais vai ter bicho porque perdeu algum muito querido e não quer sofrer novamente. Verdade, quando uma dessas criaturas se vai, deixa para trás muita saudade e não sei de ninguém que goste de sofrer. Mas, se você gosta desses bichos e não tiver mais nenhum, não vai ser triste do mesmo jeito?

Não vai ter mais barulho de patinhas pela casa, nem vai ter nenhuma bagunça surreal para você dar uma boa risada naquele dia ruim, quando o professor acabou com aquele projeto que parecia excelente ou aquela reunião no trabalho deixou todo mundo abalado. Aquela cesta de lixo nunca mais vai aparecer revirada, nem vai surgir uma bolinha de pelos no seu colo pedindo carinho. Imagina a monotonia que vai ser!

Em defesa dos focinhos gelados, olhinhos redondos cativantes e patinhas fofinhas, se todo mundo que sofreu por um canino, um felino ou qualquer outro animal de estimação desistir deles, pensa só a quantidade de seres incríveis que vão perder a oportunidade de se conhecer. Imagina você aí sentado perdendo a oportunidade de dar uma vida maravilhosa para uma criaturinha perdida aí na rua ou latindo desesperadamente na noite escura e sozinha da loja de animais?

Links para adoção de bichos:
guardioesdosanimais.nafoto.net
www.proanima.org.br
www.suipa.org.br

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cachorros e suas lixeiras

Outro dia o @kikoloureiro escreveu que a Anastacia era uma velha louca e tinha revirado todo o lixo da cozinha. Li e rolei de rir. Simplesmente porque o passatempo favorito das vira-latas e da vira-lata por excelência aqui de casa é exatamente revirar lixeiras. Sim, eca! Porém, cada uma tem sua preferência. Não é assim qualquer lixo, muito menos qualquer hora. Existe todo um cronograma, uma preparação detalhada e muita pesquisa antes do ataque aos restos.

Angel, a número 1, pensa apenas na barriga. Para ela é apenas uma questão de conseguir aquele quitute que as humanas maldosamente insistem em não dar. Ou seja, ela ataca a lixeirinha da cozinha, em cima da pia. É só sair e esquecer-se de esvaziar a lixeira que ela acha uma forma de se esgueirar entre a geladeira e a pia. E, ao chegar em casa, a cena é a do lixo belamente esparramado no chão. O que faltar, como ossos, é o que ela queria. Caso ainda esteja mastigando, nem tente chegar perto, por amor aos seus dedos e braços.

Bruna, a número 2, pensa na diversão e no grau de porcalheira que pode te enojar. Tá bom, não tanto, mas a questão é que o lixo favorito dela é o do banheiro (eca²), pronto. Na verdade, ela gosta do papel higiênico e já destruiu alguns rolos novinhos para comprovar essa teoria. A porta do banheiro costuma ceder depois de alguns empurrões mais fortes, e ela sabe disso. As opções viáveis são: a. esvaziar a lixeira antes de sair ou b. colocar a lixeira dentro do box e deixar bem fechado. Ah, e guardar o rolo limpo dentro do armário. Em caso de esquecimento é se preparar para a faxina e tentar não jogar a criatura na máquina de lavar.

Rory é a menor e mais feliz. Não faz barulho e não vira confete, não interessa. Ou seja, encarte de loja, revista, jornal e contas envelopadas precisam de abrigo seguro. Recentemente caí na bobeira de deixar uma revista no sofá, para ler depois. Só uma matéria tinha me interessado/ indignado, então eu precisava de um tempo para processar a chamada antes de ler propriamente. Saímos, não deu outra. Na volta, jaziam no meio da sala os frangalhos da publicação, sem a mínima chance de remendar com fita adesiva. Os outros pedacinhos estavam por todo o perímetro da residência. Se bobear, ainda dá para achar algum.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Boa de Tigela


Vida de quem tem cachorro NUNCA é monótona. Principalmente se o seu cãozinho não foi exatamente treinado. Aqui em casa são três malucas nesta condição. A Angel basicamente adaptou o truque de sentar para quase tudo que precisa na vida: ela senta para ganhar comida; senta na frente da porta quando quer passear; senta e olha para cima quando quer ração ou biscoitos especificamente (ambos ficam numa prateleira alta na cozinha); senta na sua frente, levanta e senta de novo na frente da tigela para avisar que a água acabou e o melhor: senta desolada no meio da sala quando descobre que seu edredom ou sua almofada não estão no cantinho onde deveriam estar. Em tempo: ela é cega há alguns anos, então essa coisa de tirar objetos do lugar é tensa.
Apesar disso, ela continua tão focinho de pau quanto sempre foi. Antes da Angel, tive outra cachorrinha. Pois bem, a Fofa não comia praticamente nada, ração de jeito nenhum. O cardápio dela se resumia a arroz misturado com carne, frango ou fígado, que ela comia com uma felicidade imensa, e só. Com poucos meses a Angel provou que se fosse gente, seria ótima de garfo. Um belo dia fiz pipoca e só quando sentei no tapete me lembrei que não tinha pegado o copo de suco. Levantei e voltei para a cozinha, sem me preocupar. Qual a minha surpresa quando encontrei aquele projeto de cachorro comendo a pipoca toda satisfeita!
É costume aqui em casa dizer que no dia que a gordinha rejeitar alguma coisa podemos cavar o buraco e esperar. É bem por aí: pipoca, cenoura, tomate, leite e queijo são os favoritos. Aliás, q-u-e-i-j-o é uma palavra proibida, a não ser que soletrada, porque ela percebe e vai direto para a porta da geladeira e senta, senta de novo, senta mais uma vez, até nos vencer pelo cansaço, com aquela cara de morta de fome e aqueles olhinhos tristes simulados.
Na sala, a mesa geralmente fica vazia, porque em quase todas as ocasiões em que ficou algo ali em cima, sumiu depois de uma saidinha rápida dos humanos. Uma vez abrimos uma caixa de chocolates à noite, enquanto assistíamos televisão. O tempo passou, o sono veio e os chocolates foram esquecidos, na beira da mesa. No outro dia a caixa continuava ali, mas as pessoas saíram cedo e ninguém se lembrou de conferir a mesa. À noite, cadê a caixa? Procura embaixo dos móveis, olha nos armários, na geladeira e nada. A conclusão inicial foi a de que foi tão bem guardada que ninguém conseguia lembrar aonde.
E a Angel ainda passou mal aquele dia. Procurar doce ficou para depois, porque parecia que ela ia virar do avesso. Levou quase uma semana até tudo fazer sentido, quando um pedacinho da caixa foi encontrado embaixo do sofá, todo moído. A esfomeada comeu todo o chocolate! Com os papéis! Não foi à toa que passou uns dois dias mole, sem vontade de fazer o que mais gosta. Monotonia canina? Não mesmo.